terça-feira, 28 de agosto de 2012

Coluna do Sérgio da Costa Ramos no DC

Já várias vezes externei aqui minha admiração por Nelson Rodrigues.
Quando leio os textos dele sobre futebol me arrepio e em seguida, invejo.
Semana passada foi comemorado o centenário desse escritor brasileiro que amava o futebol e cuja paixão era o Fluminense.
Mas confesso, admiro muito também os textos de Sérgio da Costa Ramos. 
Esse é outro que leio e em seguida, invejo.
Corro todos os dias para abrir o Diário Catarinense na busca esperançosa de que ele tenha escrito sobre futebol.
Hoje ele nos brinda com  mais um texto inimitável, primoroso, divino, lindo.
Sérgio é mais um talentoso escritor que ama o futebol e que escreve com a alma do torcedor. Mas esse é dos "nossos", manezinho, em sendo assim tem uma qualidade que Nelson não tinha.
É torcedor Avaiano.
Abaixo o texto da coluna do Sérgio da Costa Ramos de hoje no DC:


A perfeição do futebol não está, como o leitor imagina, dentro do campo; está, certamente, na arquibancada.


“Ali – escreveu o Machado de Assis do futebol, Armando Nogueira –, feroz ou silencioso, o torcedor exerce o seu dom divino de acertar sempre. Não erra um chute, não erra um passe. E é precisamente essa soberana competência que o leva a vaiar o próprio ídolo que perdeu o gol; o gol que ele nunca deixou de fazer, lá de cima, chutando as pernas do vizinho.”



Serei esse torcedor hoje à noite na Ressacada. “Um pouco menino – Ave, mestre Armando! – correndo atrás da bola; um pouco poeta, correndo atrás da amada; um tanto guerreiro, buscando a glória no chão do rival; um tanto homem, fugindo do tempo que passa.”



A bola é vogal – digo eu – e deveria rolar para todos. Mas para o Avaí ela rola fazendo coisas, sobre saltos e ressaltos, apesar do perfeito bilhar que é o gramado do estádio azurra. A bola avaiana enfrenta tantas adversidades como se fosse a própria Terra, achatada nos polos e dilatada no Equador.


Uns torcem, outros secam, terceiros se aproveitam. Uns esperam vender mais churrasquinhos de gato. Outros planejam faturar mais uns votinhos. Candidatos aparecerão com os seus santinhos. Mas o único santo que espero encontrar, aliás, mais do que um santo, uma divindade prometida, é o centroavante Ricardo de Jesus...


Vereadores aparecerão nas arquibancadas com o distintivo celestial e o manto emoldurando a gravata – cada um querendo tirar a sua casquinha com a torcida vencedora. E quem será o vencedor, senão o “mais vezes campeão do Estado”, morador do Rio Tavares?



Todos têm um time, uma paixão a acender no fogo crepitante do coração torcedor. Torcida é substantivo claramente irracional, como devem ser as melhores paixões. Se é para torcer, puxar a razão, torcendo-a para as cores da nossa devoção, estamos prontos para ingressar neste mundo de surrealismos.



Foi um golaço ou falha do goleiro? O chute foi de craque ou de cabeça de bagre? O nosso time jogou mal ou foi roubado pelo juiz? Tudo se decide no campo de futebol, no quadrilátero da tela plana ou na sala da tevê, onde somos, ao mesmo, tempo, o melhor jogador e o melhor técnico.



O futebol é essa lúdica guerra, esse ritual cheio de bandeiras, cantos, exércitos e batalhas. Cheio de risos, caretas, repleto de “ais” e “uis”, além de colecionar a mais fina flor dos palavrões, herdados do Bocage das piadas.



Que vença o que jogar mais e xingar melhor. (Sérgio da Costa Ramos)


3 comentários:

Paulo disse...

esse Lageano é um mosntro .....

Anônimo disse...

Leio Sérgio da Costa Ramos todos os dias. É, sem dúvida, um grande escritor, também, quando escreve sobre futebol.
É um ilustre avaiano, mestre das letras e da criatividade.
Bighal.

Kaká De Paula disse...

eita nós, temos um lageano mané. Côza max quirida!